A escrita hieroglífica continha três categorias de sinais:
Fonogramas - representam sons, e correspondiam a uma, duas, ou três consoantes. Constituem a base de toda a gramática egípcia. Existem três classes de fonogramas.
Monoconsonantais - com uma única consoante. Ver alfabeto.
Biconsonantais - com duas consoantes. Eis alguns
exemplos:
pr
gb
ir
mn
Triconsonantais - com três consoantes.
Exemplos:
anx
xpr
HAt
rwD
Ideogramas - sinais sem valor fonético, que
correspondem a uma ideia completa. Muitas vezes a palavra a que correspondem define literalmente um determinado objecto ou ser animado, sendo neste caso chamados de logogramas, escrevendo-se seguidos de um traço adjunto. Por exemplo:
ra sol,
dia
ib coração
pr casa
Determinativos - são uma extensão
não-fonética dos ideogramas, sendo colocados no final de cada
palavra hieroglífica. Esclarecem a categoria a que pertence a palavra
que lhes é imediatamente precedente. São exemplos:
pessoa, nome de pessoa
comer, pensar,
beber, falar
casa, edifício
deserto,
montanha, terra estrangeira
Como se pode verificar, vários sinais são simultaneamente logogramas e fonogramas. Consequentemente, a escrita hieroglífica era uma combinação destes três tipos de sinais.
Quanto à orientação da escrita, esta efectuava-se na horizontal ou na vertical, e os hieróglifos podiam-se ler a partir da esquerda ou da direita, mas nunca de baixo para cima.
Um alfabeto é um conjunto de sinais seguindo uma ordem
específica, que representam os sons unitários -
fonemas - na escrita da língua usada por um povo em
uma determinada época.
Não se pode dizer que os egípcios usavam o alfabeto na sua
escrita, pois combinavam vários tipos de hieróglifos entre si, e apesar de muitos deles serem fonéticos, eram frequentes os hieróglifos que correspondiam a mais do que uma consoante. No entanto, para efeitos práticos podemos isolar alguns hieróglifos que correspondem a fonemas isolados, formando assim uma espécie de alfabeto. Esta percepção virtual de um alfabeto facilita obviamente a criação de listas de palavras no estudo da antiga língua egípcia.
Seria impensável ensinar aqui a gramática egípcia, tal é o seu tamanho e complexidade, principalmente no sistema verbal. No entanto, é possível ilustrar através de simples exemplos as relações entre os vários elementos de uma oração básica. A imagem abaixo é um desses exemplos, e representa uma construção verbal simples, usando a regra VSO (Verbo-Sujeito-Objecto). Uma imagem vale por muitas palavras, e a seguinte imagem demonstra de forma simples alguns alguns pontos essenciais da gramática do Egípcio Médio, a fase clássica da língua egípcia.
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A mulher local ouve o crocodilo infeliz
| Palavra | ||||||
| Transliteração | iw | sDm | st | niwtyt | msH | mAir |
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 |
1 - partícula de introdução iw
2 - verbo triconsonantal sDm 'ouvir'
3 - substantivo feminino st 'mulher'
4 - adjectivo feminino niwtyt 'local'
5 - substantivo masculino msH 'crocodilo'
6 - adjectivo masculino mAir 'infeliz'
Durante o Período Dinástico Primitivo (c. 3150-2686 a.C.), os egípcios criaram a tradição de escrever a parte principal dos títulos reais do faraó dentro de uma forma oval alongada, vulgarmente conhecida pelo nome de cartucho, ou cartela (Ver figura 1). Este elemento da escrita hieroglífica Representava um cordão mágico que afastava do monarca os maus espíritos, conferindo-lhe assim protecção divina e mágica. A palavra egípcia equivalente era shenu (Snw)
As inscrições com o título
real completo de um faraó incluíam sempre dois
cartuchos, o primeiro contendo o prenomen (nome de trono), que
relacionava um ou mais aspectos do rei com o deus solar Rá, e o
segundo cartucho continha o nomen (nome de nascimento), obviamente dado ao rei aquando do seu nascimento. A compreensão destes elementos nas
inscrições de algumas estelas comemorativas e outros monumentos
foi fundamental para a decifração dos hieróglifos durante o
século XIX.
O cartucho seguia a orientação geral da escrita
hieroglífica, e os seguintes exemplos demonstram-no com o prenomen do faraó Tutmosis III.
Figura 1a - Cartucho horizontal
Figura 1b - Cartucho vertical
Os primeiros faraós não escreviam o seu nome num cartucho, mas antes no serekh (srx), uma estrutura rectangular encimada pelo deus-falcão Horus (figura 2). Representava a fachada do palácio real, dentro da qual se inscrevia o Nome-de-Horus do faraó. Este título real era uma combinação do nome de trono do faraó com vários epítetos que o relacionavam com o deus-falcão Horus ou outros deuses.

Figura 2 - Ilustração de um serekh do rei Tutmosis I da 18.ª dinastia e
fotografia
de uma estela com o serekh do rei Djet da 1.ª dinastia (Museu do Louvre, Paris)
Conhecem-se serekhs de reis de dinastias posteriores ao Período Pré-Dinástico, mas deixaram de ser frequentes durante o Império Antigo, e a preferência passou a ser o uso do cartucho em todas as inscrições monumentais e oficiais.
Pode consultar aqui vários nomes reais de faraós com os seus cartuchos e serekhs.