Quando a capacidade gráfica dos computadores pessoais se expandiu no final do século XX, os egiptologistas exploraram a possibilidade de transmitir e reproduzir textos hieroglíficos usando o alfabeto latino, presente na maioria dos computadores a nível mundial. Foi então decidido criar um sistema universal de codificação que usasse caracteres alfanuméricos para representar os gráficos egípcios.
Em 1988 um grupo de investigadores europeus criou então aquele que ficou conhecido por Manuel de Codage (MdC), um conjunto padrão de regras para representar e ordenar sinais e grupos de sinais hieroglíficos. Mas a proliferação de variado software, entretanto criado, foi adicionando novas regras a esta especificação do Manuel de Codage, o que já não garante a longo prazo a compatibilidade total deste formato de comunicação entre todas as aplicações informáticas.
Está prevista uma revisão do Manuel de Codage para breve, e a inclusão de hieróglifos egípcios também será contemplada numa futura versão do padrão de caracteres Unicode.
Os códigos podem ser introduzidos pelo seu
Número de Gardiner ou pelo valor
fonético único atribuído. Por exemplo,
pode ser codificado por M20 ou sxt.
Numa sequência de código, cada sinal é
escrito na ordem em que os hieróglifos são reprentados, e
é separado dos sinais vizinhos por um hífen
"-" ou um espaço.
Por exemplo,
pode ser criado com m-a-t-tr-s-n ou
m a t tr s n.
Convém usar o espaço para separar cada palavra, para melhor as identificar no código.
Sinais podem ser colocados em grupos usando o asterisco
"*" para justaposição ou
dois pontos ":" para subordinação de sinais. Assim,
é codificado com
tA:Z4*Z1-p:N7-nfr-f:r.
Espaços no texto hieroglífico podem ser
introduzidos usando um ponto final "." (meio
espaço) ou dois pontos finais ".." (um espaço completo). Consequentemente,
a linha rn-..-..-..-A1 proporciona
. Pontos finais
também são usados para mover sinais sozinhos para
cima ou para baixo numa linha.
é
obtido com i-n:r-.:O39, enquanto que i-n:r-O39:.
dá
.
Sinais solitários, tais como
podem ser manipulados de várias maneiras usando
códigos com a barra inclinada "\" :
Rotação:
são
conseguidos com A1\r1 A1\r2 A1\r3
A1\r4
Rotação:
são
conseguidos com A1\t1 A1\t2 A1\t3
A1\t4
Imagem-espelho:
é codificado através de A1\
Alteração na escala:
obtêm-se com A1\120 A1\100
A1\80 A1\60, onde depois da barra é indicada a
percentagem de escala desejada.
Estas manipulações de sinais também podem ser
usadas dentro de grupos:
, onde apenas Z2
é escalado, pode ser obtido respectivamente por
n:Z2 n:Z2\80 e n:Z2\60.
Cartuchos com nomes reais podem ser construídos usando "<" (início) e ">" (fim) seguido de um código adicional especificando o tipo de cartucho, tal como se mostra nos seguintes exemplos:
< i-mn:n-HAt:t > ou <1 i-mn:n-HAt:t 2>
resulta em ![]()
<2 i-mn:n-HAt:t 1> resulta em
![]()
<h1 i-mn:n-HAt:t h2> resulta em
O sombreamento é usado para indicar zonas de texto
em que os hieróglifos estão danificados, ou simplesmente
lacunas no texto. Basta colocar a parte desejada entre #b
(princípio) e #e (fim). Por exemplo,
![]()
pode ser codificado com
sxt-t:Z4-#b-A1-p-w-n-e#-sxt-t:Z4-H-mA-A-U32-N33:Z2-niwt
Estas regras acima descritas constituem apenas alguns dos princípios básicos no sistema de codificação do Manuel de Codage.
Inventaire des signes hieroglyphiques en vue de leur saisie informatique (Manual for the Encoding of Hieroglyphic Texts for Computer-input) - Jan Buurman, Nicolas Grimal, Michael Hainsworth, Jochen Hallof, and Dirk Van Der Plas. Mémoires de l'Académie des Inscriptions et Belles Lettres. Informatiqyue et Egyptiologie. Institut de France, Paris, 1988.
Hieroglyphica - Jochen Hallof, Nicolas Grimal, Dirk van der Plas, PIREI 1, Utrecht/Paris, 1993.