Alguns sábios árabes medievais mantiveram a sabedoria de certos hieróglifos egípcios. Na Europa, pelo contrário, o Egipto estava apenas conotado com paisagens bíblicas e os "celeiros de José". O conhecimento dos hieróglifos egípcios só ganhou interesse após o Renascimento e o movimento do Orientalismo, promovido por viajantes europeus ávidos do exotismo do oriente. Foi então que vários investigadores procuraram os conhecimentos necessários para uma explicação racional dos hieróglifos. Globalmente, o entendimento dessa escrita tinha sido perdida no tempo. Ainda no século XVIII, muitos persistiam inutilmente em lidar com a discussão sobre se este sistema de escrita seria exclusivamente alfabético, ou, se pelo contrário, seria exclusivamente simbólico. Eis alguns dos que lideraram a procura desta antiga sabedoria:
Foi um elemento fundamental
para a decifração das escritas egípcias. Trata-se de
um bloco de granito negro, pesando cerca de 762kg, com as dimensões aproximadas de 114x72x28 cm (Altura x Largura x Espessura). Foi descoberta acidentalmente a norte do Delta do Nilo, perto da localidade de El-Rashid (conhecida por Roseta
entre os europeus), por um soldado do regimento francês
que Napoleão mantinha no Egipto. Quando os
britânicos expulsaram o exército francês do Egipto levaram-na
para Inglaterra.
Gravado no ano 196 a.C, o bloco contém uma inscrição com um decreto emitido por sacerdotes egípcios que prestam homenagem ao faraó Ptolomeu V Epifanes, pelo seu apoio constante ao clero local. Este decreto consiste num texto em 3 escritas diferentes: hieroglífica (a escrita sagrada dos sacerdotes que emitiram o decreto), demótico (a escrita comum egípcia na altura), e grego (a escrita nativa dos faraós Ptolomaicos).
Na prática, estas três escritas reflectem apenas dois idiomas: grego e demótico, este último uma fase tardia da língua egípcia, muito comum entre 650 a.C. e o século V d.C.
Foi a progressiva comparação de textos bilingues como o da Pedra de Roseta que permitiu avançar o estudo dos hieróglifos e encontrar a chave para a sua decifração. Um processo semelhante foi usado para decifrar a escrita cuneiforme da antiga Mesopotâmia.
A imagem da esquerda representa uma reconstituição de como seria a Pedra de Roseta no seu estado original.
Esta reconstrução é baseada em cópias de outras inscrições semelhantes, nomeadamente o Decreto de Menfis e o Decreto de Canopus. A altura real seria cerca de 149cm.
O médico inglês Thomas Young teve acesso a uma cópia da inscrição da Pedra de Roseta, e estudou-a usando o seguinte método:
Além disto estudou incrições em outros
locais, provando que os cartuchos reais continham caracteres
alfabéticos.
Demonstrou o valor fonético correcto de alguns
hieróglifos, como para as letras " t " e " f
".
Reconheceu o determinativo usado no final de nomes
femininos.
Descobriu a notação de vários numerais.
Conseguiu ao todo o valor fonético de cerca de 80
palavras demóticas, com o seu equivalente em
hieróglifos.
Young publicou os seus trabalhos num suplemento da
Enciclopédia Britânica em 1819, e transmitiu as
suas conclusões a Jean-François Champollion
(1790-1832), o seu sucessor na decifração, e considerado o pai da egiptologia moderna.