O Estudo dos Hieróglifos
e a Pedra de Roseta 

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Quem redescobriu os hieróglifos egípcios ?

Alguns sábios árabes medievais mantiveram a sabedoria de certos hieróglifos egípcios. Na Europa, pelo contrário, o Egipto estava apenas conotado com paisagens bíblicas e os "celeiros de José". O conhecimento dos hieróglifos egípcios só ganhou interesse após o Renascimento e o movimento do Orientalismo, promovido por viajantes europeus ávidos do exotismo do oriente. Foi então que vários investigadores procuraram os conhecimentos necessários para uma explicação racional dos hieróglifos. Globalmente, o entendimento dessa escrita tinha sido perdida no tempo. Ainda no século XVIII, muitos persistiam inutilmente em lidar com a discussão sobre se este sistema de escrita seria exclusivamente alfabético, ou, se pelo contrário, seria exclusivamente simbólico. Eis alguns dos que lideraram a procura desta antiga sabedoria:

  • Georg Zöega (1755-1809) - antiquário dinamarquês.
    Concluiu que muitos hieróglifos representavam letras dum alfabeto. Avançou também a ideia de que o cartucho - a forma oval alongada encontrada em muitas inscrições - continha nomes próprios da realeza.

    Cartela ou Cartela

  • Johan Åkerblad (1763-1819) - diplomata sueco.
    Ao estudar a secção demótica da Pedra de Roseta descobriu o valor correcto de alguns sinais, mas, tal como o seu colega Silvestre de Sacy, continuava no erro de que toda a escrita demótica era alfabética. Logo, os hieróglifos também o seriam.
  • Thomas Young (1773-1829) - médico inglês.
    Foi o primeiro a reconhecer que tanto a escrita demótica como a hieroglífica, eram ambas compostas de sinais alfabéticos e não-alfabéticos (simbólicos), e que estavam intimamente relacionadas. Usou a Pedra de Roseta nas suas investigações.
A importância da Pedra de Roseta

Pedra de Roseta no Museu Britânico, em LondresFoi um elemento fundamental para a decifração das escritas egípcias. Trata-se de um bloco de granito negro, pesando cerca de 762kg, com as dimensões aproximadas de 114x72x28 cm (Altura x Largura x Espessura). Foi descoberta acidentalmente a norte do Delta do Nilo, perto da localidade de El-Rashid (conhecida por Roseta entre os europeus), por um soldado do regimento francês que Napoleão mantinha no Egipto. Quando os britânicos expulsaram o exército francês do Egipto levaram-na para Inglaterra.

Gravado no ano 196 a.C, o bloco contém uma inscrição com um decreto emitido por sacerdotes egípcios que prestam homenagem ao faraó Ptolomeu V Epifanes, pelo seu apoio constante ao clero local. Este decreto consiste num texto em 3 escritas diferentes: hieroglífica (a escrita sagrada dos sacerdotes que emitiram o decreto), demótico (a escrita comum egípcia na altura), e grego (a escrita nativa dos faraós Ptolomaicos).

Reconstituição de como seria a Pedra de Roseta no seu estado original Na prática, estas três escritas reflectem apenas dois idiomas: grego e demótico, este último uma fase tardia da língua egípcia, muito comum entre 650 a.C. e o século V d.C.
Foi a progressiva comparação de textos bilingues como o da Pedra de Roseta que permitiu avançar o estudo dos hieróglifos e encontrar a chave para a sua decifração. Um processo semelhante foi usado para decifrar a escrita cuneiforme da antiga Mesopotâmia.

A imagem da esquerda representa uma reconstituição de como seria a Pedra de Roseta no seu estado original.

Esta reconstrução é baseada em cópias de outras inscrições semelhantes, nomeadamente o Decreto de Menfis e o Decreto de Canopus. A altura real seria cerca de 149cm.

O médico inglês Thomas Young teve acesso a uma cópia da inscrição da Pedra de Roseta, e estudou-a usando o seguinte método:

  • Reuniu palavras no texto grego que ocorressem mais do que uma vez.
  • Procurou então um grupo de sinais no texto demótico, que ocorressem um número igual de vezes.
  • Conseguiu assim encontrar a palavra demótica para "e", que ocorria em todas as linhas.
  • As palavras mais frequentes identificou-as com "rei", "Ptolomeu" e "Egipto".
  • A seguir tentou adivinhar as outras palavras e preencher os espaços vazios.
  • Foi uma tarefa muito difícil pois nem a secção grega nem a parte demótica eram a tradução literal uma da outra.

Além disto estudou incrições em outros locais, provando que os cartuchos reais continham caracteres alfabéticos.
Demonstrou o valor fonético correcto de alguns hieróglifos, como para as letras " t " e " f ".
Reconheceu o determinativo usado no final de nomes femininos.
Descobriu a notação de vários numerais.

Conseguiu ao todo o valor fonético de cerca de 80 palavras demóticas, com o seu equivalente em hieróglifos.
Young publicou os seus trabalhos num suplemento da Enciclopédia Britânica em 1819, e transmitiu as suas conclusões a Jean-François Champollion (1790-1832), o seu sucessor na decifração, e considerado o pai da egiptologia moderna.

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