Nasce em França em 1790 aquele que é considerado o Pai da Egiptologia, Jean-François
Champollion. Desde muito jovem mostrou um grande interesse
pelo estudo de línguas orientais, e aos 16 anos já
conhecia Hebreu, Árabe, Persa, Chinês e
várias outras línguas asiáticas. Concluiu
que o cóptico, a língua falada pelos
cristãos egípcios na altura, correspondia ao
último estágio da antiga língua
egípcia, e foi esta a sua grande vantagem sobre o
inglês Thomas Young. Com o seu estudo, identificou vários dos caracteres demóticos na Pedra de
Roseta, juntamente com os seus equivalentes cópticos.
Ao princípio, apesar dos resultados de Young, Champollion
estava convencido de que os hieróglifos eram puramente
simbólicos.
Ao estudar a Pedra de Roseta, Champollion identificou o
único cartucho que aparecia 6 vezes como sendo o de
Ptolomeu, dado que a secção grega referia que a
inscrição era sobre um Ptolomeu.
Ele assumiu que os caracteres seriam a pronunciação de Ptolemaios, a palavra grega para Ptolomeu.
Em 1822, recebe a cópia de uma inscrição bilingual em hieróglifos e grego, de um obelisco egípcio que tinha sido trazido para Inglaterra pelo coleccionador J.W. Bankes, para ornamentar a sua propriedade.
No obelisco de Bankes, referem-se dois nomes reais na
secção grega: Ptolomeu (Ptolemaios) e
Cleopatra (Kleopatra). No texto hieroglífico dois cartuchos aparecem lado a lado.
Um deles é quase idêntico ao da Pedra de Roseta:
Na Pedra de Roseta
No Obelisco de Bankes
Então o outro cartucho no obelisco de Bankes foi
considerado como tendo o nome de Cleopatra:

Assim, decompondo os cartuchos de Ptolomeu e Cleopatra temos os seguintes hieróglifos:
A) Ptolomeu
B) Cleopatra
| Champollion conclui que: |
|
Substituindo as letras já conhecidas no nome de Cleopatra obtém-se...
Os sinais B3 e B4 entre L e P devem ser provavelmente os equivalentes às vogais E e O, respectivamente.
Em algumas formas do cartucho de
Cleopatra, como esta ao lado, o sinal B7 é
substituído por B10, que é o mesmo que
A2. Provavelmente ambos significam T.
B6 e B9 devem ser A.
Assim temos:
Os últimos dois sinais (B10 e B11) já eram conhecidos desde os estudos de Thomas Young, como sendo uma terminação honorífica em nomes de deusas, rainhas e princesas. Ou seja, não teriam valor fonético.
Isto faz com que B8 = R.
Substituindo agora as letras conhecidas no
cartucho de Ptolomeu...

... verifica-se que alguns sinais não correspondem a nenhuma parte
do nome (em grego Ptolemaios).
Mas existem outras formas de Ptolomeu na Pedra de Roseta, e Champollion comparou-as:
Na Pedra de Roseta
(forma mais complexa)
(forma mais simples)
No obelisco de Bankes
Os últimos hieróglifos nos cartuchos (
e
) deveriam corresponder aos epítetos reais mencionados no texto grego, "viva para sempre, o amado de Ptah". Deveriam por isso ser equivalentes entre si.
O último hieróglifo na forma mais simples do cartucho de Ptolomeu,
, deveria ser o S de Ptolemaios.
Os sinais restantes (
e
)
podiam traduzir-se como M e uma vogal semelhante a I.
Champollion tinha descoberto o segredo: a antiga escrita hieroglífica egípcia era uma mistura de sinais representando sons (fonogramas) com sinais que representavam ideias ou palavras (ideogramas ou logogramas). O reconhecimento deste fenómeno foi a vantagem que Champollion teve sobre o seu colega Thomas Young na decifração do sistema de escrita.